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Usar mais inteligência artificial não garante trabalho melhor, alerta Amazon
Gigante da tecnologia muda regras internas e avisa que medir produtividade pelo volume de IA gera custos altos e distorções.

A Amazon decidiu mudar as regras internas sobre como mede a produtividade dos seus engenheiros de software. A empresa concluiu que cobrar o uso intenso de inteligência artificial não significa ter entregas melhores. Pelo contrário: focar apenas em números brutos fez os custos operacionais subirem sem trazer ganhos reais para os projetos.
A companhia classificou metas baseadas no consumo de recursos de computação ou na quantidade de código gerado como profundamente falhas. A mensagem para os funcionários agora é clara e direta. O que realmente importa não é o volume de tecnologia acionada, mas o impacto prático do trabalho no atendimento aos clientes e nos negócios.
Imagine o dono de uma marcenaria que decide avaliar seus funcionários pela quantidade de parafusos que eles gastam no mês. Em pouco tempo, os marceneiros vão colocar parafusos onde bastava um pingo de cola, apenas para parecerem mais dedicados. Na Amazon, aconteceu exatamente isso com o uso de sistemas avançados de programação.
O problema do consumo exagerado
Esse comportamento gerou um fenômeno interno apelidado de consumo exagerado de fichas de processamento (tokenmaxxing). Fichas de processamento (tokens) são pedaços de palavras ou caracteres que os modelos computacionais utilizam para entender e criar respostas. Cada uma dessas unidades custa dinheiro para a infraestrutura da empresa toda vez que é processada.
Para subir em uma tabela de classificação interna de uso de tecnologia, alguns profissionais começaram a rodar programas autônomos (agentes de IA) em tarefas totalmente desnecessárias. Esse ranking acabou sendo cancelado pela direção em maio deste ano após a distorção virar um problema evidente. O gasto de energia e dinheiro disparou sem criar nada que realmente ajudasse o consumidor final.
Em vez de melhorar os serviços, a prática servia apenas para bater uma meta artificial de uso. Quando uma ferramenta vira um fim em si mesma, a equipe perde o foco na solução do problema real. O erro, portanto, não estava no sistema inteligente, mas na forma como a liderança escolheu premiar a equipe.
Foco no resultado e não na ferramenta
O vice-presidente da Amazon, Terk Terkowitz, destacou que o critério correto de avaliação deve ser o resultado conquistado a longo prazo. Esse impacto precisa beneficiar clientes, fortalecer a empresa e ajudar os próprios times de trabalho. Para o executivo, entender onde a automação não funciona é uma lição tão valiosa quanto descobrir onde ela é eficiente.
A companhia garante que não está dando passos para trás em relação à tecnologia. A recomendação continua sendo aprender e aplicar ferramentas inteligentes no dia a dia da programação. A diferença crucial é que a máquina deve andar de mãos dadas com a experiência técnica e o julgamento crítico dos profissionais humanos.
Os dados de consumo e adoção não serão completamente jogados fora. Eles continuarão servindo como bússola interna para a diretoria identificar tendências e gargalos no fluxo de trabalho. A virada de chave é que esses números nunca mais serão cobrados como exigência individual de desempenho.
Um desafio de todo o mercado
A discussão levantada dentro da gigante do comércio eletrônico reflete uma realidade comum em empresas de vários setores. Um levantamento recente apontou que apenas 3% das organizações conseguiram superar suas metas de economia com ganhos de produtividade gerados por inteligência artificial. O número mostra que gastar muito com inovação não traz retorno financeiro imediato por mágica.
Mesmo diante desse cenário de retorno baixo, a grande maioria dos gestores ainda planeja aumentar os investimentos em novidades tecnológicas nos próximos anos. A experiência da Amazon serve como um freio de arrumação para evitar desperdício de capital em soluções da moda. Usar uma ferramenta moderna sem estratégia clara costuma apenas encarecer a rotina sem resolver os velhos gargalos de um negócio.
Entenda
Por que isso importa
O caso da Amazon mostra que ter acesso à tecnologia mais recente não garante mais eficiência nem lucros maiores. Muitas empresas caem na armadilha de cobrar o uso de novidades digitais sem entender se elas realmente resolvem os problemas da rotina. Quando a métrica de sucesso é apenas usar a ferramenta, o negócio gasta dinheiro à toa e incentiva a equipe a simular trabalho. O valor real da inovação está na economia de tempo e na melhoria do serviço entregue, e não na quantidade de comandos enviados a um sistema.
na sua empresa
- Em um escritório de contabilidade, a equipe pode ser tentada a gerar relatórios enormes com inteligência artificial apenas para mostrar volume de serviço. O cliente, no entanto, busca respostas diretas e precisas para resolver pendências financeiras. Cobrar o número de documentos criados em vez da clareza da solução pode afastar clientes e gerar trabalho inútil.
- O proprietário de uma loja virtual pode instalar um robô de atendimento para economizar tempo, acreditando que quanto mais mensagens ele trocar, melhor será a operação. Se o sistema apenas enrolar o consumidor com respostas automáticas e confusas, a venda será perdida. O foco deve ser a taxa de problemas resolvidos no primeiro contato, não o tempo que o cliente gasta conversando com a máquina.
- Um pequeno restaurante pode tentar automatizar o controle de compras com softwares complexos achando que a tecnologia vai cortar custos sozinha. Se a equipe apenas alimentar o sistema com dados errados para cumprir uma tarefa do dia, o estoque continuará desorganizado e caro. A tecnologia só gera economia quando combinada com a conferência atenta e a disciplina dos funcionários na cozinha.
termos explicados
- Fichas de processamento (tokens)
- São pequenos pedaços de palavras ou caracteres que os sistemas de inteligência artificial usam para ler e gerar textos. As empresas que fornecem essas ferramentas cobram os usuários com base na quantidade dessas unidades consumidas.
- Agente de inteligência artificial (AI agent)
- É um programa configurado para realizar tarefas de forma autônoma sem precisar de ordens humanas a cada etapa. Ele pode pesquisar dados, enviar mensagens ou testar rotinas por conta própria.
- Métricas de desempenho (performance metrics)
- São números e indicadores utilizados pela liderança para medir se um funcionário ou projeto atingiu os objetivos combinados. Quando são mal escolhidas, podem incentivar comportamentos prejudiciais à empresa.
- Consumo exagerado de fichas (tokenmaxxing)
- Expressão usada no ambiente de tecnologia para descrever o ato de gastar recursos de processamento de inteligência artificial em excesso apenas para inflar relatórios e estatísticas de uso.
o que fazer agora
- Mapeie as tarefas repetitivas e lentas da sua empresa antes de contratar qualquer ferramenta paga de inteligência artificial.
- Defina metas baseadas na satisfação do cliente ou no tempo economizado, nunca na quantidade de vezes que o sistema digital é utilizado.
- Oriente sua equipe a sempre revisar criticamente tudo o que é gerado por automações antes de entregar o trabalho final.
- Identifique com sinceridade quais áreas do seu negócio trazem melhores resultados quando mantêm o atendimento humano tradicional.
Cuidados
A inteligência artificial ainda passa por ajustes no mercado e seus custos de uso podem surpreender gestores desatentos. Além disso, a fonte da notícia não detalha como a Amazon vai calcular numericamente o impacto a longo prazo de suas equipes nem como outras gigantes pretendem frear gastos semelhantes.
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