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Nunca usou IA? Comece aqui.
O que é inteligência artificial, de onde ela veio e como dar seus primeiros passos. Leva uns 10 minutos.
parte 1
O que é IA, em 4 ideias
IA é um programa que aprendeu com exemplos
Em vez de alguém escrever regra por regra, a máquina estuda milhões de exemplos e aprende os padrões sozinha. É assim que ela reconhece uma foto, entende uma pergunta ou escreve um texto.
Ela prevê, não sabe
Um assistente como o ChatGPT ou o Claude prevê qual é a resposta mais provável para o seu pedido. Quase sempre acerta, mas pode errar com toda a confiança. Por isso, números, leis e preços sempre merecem conferência.
Você conversa em português normal
Não precisa saber programar. Quanto mais contexto você dá (para quem é, objetivo, tamanho, tom), melhor fica a resposta. Esse pedido se chama prompt.
Ela já está no seu dia a dia
Corretor do celular, filtro de spam, rota do GPS, recomendação de vídeo e o atendimento automático do banco usam IA há anos. A novidade é que agora qualquer pessoa pode usar diretamente.
parte 2
Do ábaco ao ChatGPT
A IA de hoje é o capítulo mais recente de uma história de milhares de anos: guardar informação e passar trabalho mental para máquinas.

A escrita: guardar informação fora da cabeça
Na Mesopotâmia, surgiu a escrita cuneiforme, feita com marcas em barro. Foi a primeira grande tecnologia de informação: contas, estoques e contratos passaram a ficar registrados.
Toda IA de hoje começa no mesmo princípio. Ela aprende com informação que alguém escreveu e guardou.

O ábaco: calcular com as mãos
Ábacos são usados há milhares de anos para somar, subtrair e multiplicar com contas que deslizam em varetas. O modelo chinês da foto, o suanpan, é um dos mais conhecidos.
A ideia central já está aqui: representar números com posições e seguir um método. É o embrião de todo computador.

O mecanismo de Anticítera
Encontrado num naufrágio grego, esse conjunto de engrenagens de bronze calculava posições do Sol e da Lua e previa eclipses.
É considerado um dos primeiros "computadores" analógicos da história: uma máquina feita para fazer contas sozinha.

A Pascalina: a primeira calculadora mecânica famosa
O francês Blaise Pascal criou uma máquina de engrenagens para ajudar o pai, cobrador de impostos, a fazer somas. Girando as rodas, o resultado aparecia nas janelinhas.
Pela primeira vez, um trabalho mental repetitivo passava para uma máquina. É a mesma promessa da automação de hoje.

O tear de Jacquard e os cartões perfurados
Joseph-Marie Jacquard criou um tear que seguia uma sequência de cartões com furos. Cada cartão dizia quais fios subir, e o desenho do tecido saía sozinho.
Isso é, na prática, um programa: instruções guardadas que a máquina segue. Os cartões perfurados seriam usados em computadores até os anos 1970.

Babbage e a máquina diferencial
O inglês Charles Babbage projetou máquinas para calcular tabelas sem erro humano. Mais tarde desenhou a máquina analítica, que já teria memória e programa.
Ada Lovelace escreveu notas sobre ela e é lembrada como a primeira pessoa a descrever um programa de computador. A máquina da foto foi construída séculos depois, seguindo os desenhos originais.

Hollerith: dados em escala
Para contar o censo dos Estados Unidos, Herman Hollerith criou uma máquina que lia cartões perfurados com eletricidade. O trabalho que levaria anos foi feito muito mais rápido.
A empresa dele foi uma das que deram origem à IBM. Foi o começo do processamento de dados em massa, a matéria-prima da IA.

ENIAC: o computador eletrônico
O ENIAC ocupava uma sala inteira, pesava cerca de 30 toneladas e usava milhares de válvulas. Fazia em segundos contas que levariam horas à mão.
Era programado mudando cabos e chaves. Daqui em diante, os computadores só ficaram menores, mais baratos e mais rápidos.

O transistor
Nos laboratórios Bell, nos Estados Unidos, foi criado o transistor: uma chave elétrica minúscula que substituiu as válvulas.
Um chip de celular hoje tem bilhões deles. Sem o transistor, não existiria computador pessoal, celular nem IA.
Nasce a ideia de "inteligência artificial"
Em 1950, o matemático Alan Turing perguntou se máquinas poderiam pensar e propôs um teste para isso. Em 1956, numa conferência em Dartmouth, nos EUA, o termo "inteligência artificial" ganhou força como área de pesquisa.
Vieram décadas de altos e baixos: muita promessa, pouca máquina para cumprir. Os períodos de desânimo ficaram conhecidos como "invernos da IA".

O chip e o microprocessador
Os circuitos integrados juntaram milhares de transistores num pedaço de silício. Em 1971 a Intel lançou o 4004, o primeiro microprocessador comercial: um computador inteiro num chip.
Foi o que permitiu o computador pessoal dos anos 1980 e, depois, o celular.

A internet vira a Web
No CERN, na Suíça, Tim Berners-Lee criou a World Wide Web: páginas ligadas por links, que qualquer pessoa podia abrir. O primeiro servidor rodou nesse computador da foto.
A Web juntou o maior acervo de textos e imagens da história. Décadas depois, foi com esse material que as IAs aprenderam a escrever.

Deep Blue vence o campeão de xadrez
O supercomputador Deep Blue, da IBM, venceu o campeão mundial Garry Kasparov numa partida de seis jogos.
Mas ele não "aprendia": calculava milhões de jogadas por segundo com regras escritas por pessoas. A IA que aprende sozinha ainda estava por vir.

Placas de vídeo e o aprendizado profundo
Pesquisadores descobriram que as placas de vídeo, feitas para games, eram ótimas para treinar redes neurais. Em 2012, uma rede treinada assim venceu com folga uma competição de reconhecimento de imagens.
Começou a era do aprendizado profundo (deep learning): máquinas que aprendem padrões a partir de muitos exemplos.

Transformers e o ChatGPT
Em 2017, pesquisadores do Google apresentaram o transformer, uma arquitetura que entende o contexto de um texto inteiro de uma vez. Ela é a base dos modelos de linguagem atuais.
Em novembro de 2022, a OpenAI lançou o ChatGPT. Em poucos meses, centenas de milhões de pessoas passaram a conversar com uma IA. Por trás, ficam data centers gigantes como o da foto.

IA no bolso e no seu negócio
Hoje a IA escreve, desenha, fala, programa, resume reuniões, atende clientes e opera outros programas sozinha, os chamados agentes.
Quem aprende a usar ganha tempo e vantagem. O IAlfabeto existe para isso: explicar cada novidade em português simples, todo dia.
parte 3
Seus primeiros 5 passos
Crie uma conta grátis num assistente
ChatGPT, Claude ou Gemini. Todos têm plano gratuito e funcionam no navegador e no celular.
Peça algo do seu trabalho
Ex.: "escreva uma mensagem educada cobrando um cliente atrasado, 3 linhas". Compare com o que você escreveria.
Dê contexto e peça ajustes
Diga para quem é, o tom e o tamanho. Se não gostar, peça: "mais curto", "mais formal", "em tópicos".
Confira o que importa
Números, leis e preços: sempre confira. A IA pode errar com confiança.
Acompanhe o IAlfabeto
Todo dia tem notícia explicada, ferramenta nova e termo do glossário. Em poucas semanas você fala a língua da IA.
parte 4
Teste rápido
8 perguntas pra ver o que ficou. Sem cadastro.